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terça-feira, 28 de setembro de 2010

T.P.M. - Tem gente que não aprende...

Só porque terça-feira é dia do que, quiançada? Siim! Dia de kombi! E dias chuvosos são ainda mais divertidos, com a lotação abarrotada de gatinhos e gatinhas cheirosos, aumentando a minha alegria com um mini-ventilador instalado ATRÁS da minha cabeça, ventando todos os meus fios que ainda não estavam rebeldes até eu sentar no banquinho de couro (ok, chega de deboche... noooot!). Mais uma bela manhã!


Sento no cantinho, sempre meu cantinho sagrado. Entram duas meninas... Ou uma menina e uma aprendiz a Ana Carolina que só faltou me abraçar quando o motorista disse 'aperta aê que dá'. Sem preconceitos, só que eu não curto muito contato humano com pessoas que não conheço. Bom, eu estava numa kombi porque quis, e reclamar não ia adiantar nada, a não ser que eu estivesse na pilha de morrer, o que não era o caso.


Eu fazia as cruzadinhas do jornal, de cabecinha baixa, que era pra não chamar a atenção. Claro que não funcionou, e mesmo tapando 3/4 da mochila, a dupla conseguiu vê-la, e em tom super baxinho, como aqueles cidadãos que anunciam o trajeto da kombi ('CENTRAL-CATUMBI-CANDELÁRIA DOIS REAL', sabe como é?). Escrito como foi dito:


- Olha a mochila que a gente queria, que sua mãe ta fazêno.


- Nera assim, não. A minha era de militá, nera de onça não.


Ressalto aqui que a mochila que eu usava pertence à minha irmã e imita a pele de um TIGRE. Não onça, TIGRE. De novo: ONÇA X TIGRE (clique em cada palavra e avalie você também)


- Mas essa é igual a que eu queria...


E o assunto em torno da minha mochila continua, até o mais belo momento do passeio: a Ana Carolina cover resolve ouvir música e compartilhar com os demais. E alto. Deveria ser PROIBIDO ouvir música dessa maneira. Mas não do jeito que é, deveria haver MULTA, tipo uma LEI FONE DE OUVIDO, obrigando as pessoas a usarem aquele belíssimo par de fones que ACOMPANHAM todos os aparelhos de celular.


Pixote, Jeito Moleque, Sorriso Maroto, Ana Carolina (eu já sabia!), Marcelo D2, bandas de reggae underground (ou muito maconheiras pro meu conhecimento), Mariah Carey e 500 canções de novela das 8, todas unidas num só playlist mais do que eclético e irritante. Uma delícia de manhã chuvosa, puro luxo.


Elas poderiam ter ficado na Central, mas por que deixar meu dia feliz? É lógico que elas saíram da van UM ponto antes do meu. Bom, pelo menos me renderam assunto pra post no blog, e coragem de assumir: eu pego kombi pra ter o que contar pros outros. Masoquismo e assunto não me faltam...

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

TPM - Lição do Dia

POSTANDO PARA A NINA:

Não sei o que ocorre comigo em kombis. Sempre que venho trabalhar direto da faculdade, pego uma, nunca a mesma, mas todas iguais: pessoas suadinhas, que gritam onde vão ficar e aquele pagode-brega que eu nunca conheço tocando no rádio. Acho ótimo aquele momento 'ciências sociais da minha semana', mas cara, por que eu?

Uma vez, foi a mulher do meu lado. Eu sentei na janela atrás do motorista, ela sentou grudadinha. Eu estava lendo uma Gloss, e percebi que ela estava quase SENTADA no meu colo, lendo também. Ok. Passa a foto da Dieckmann, ela comenta da roupa. Eu ri. Passa uma matéria da Julia Roberts, ela faz um comentário. Resmunguei qualquer coisa. E então eu mudei de página...

- Peraí, deixa eu ler.

E ela pegou a revista da minha mão. Simples assim.

Olha, eu não sei como funciona nas kombis espalhadas pelo país, ou pelo mundo, mas me diga: existem revistas DA KOMBI, tipo existem em salão de beleza e recepções de lugares públicos, onde as pessoas podem pegar e ler normalmente? Ainda que haja, você costuma INTERROMPER a leitura de alguém? Se sim, você é uma sem-noção, amiguinha.

Fiquei olhando com cara de 'ah, mentira...' enquanto ela lia sobre a vida da Sandra Bullock na MINHA Gloss que EU paguei cinco reais (é só comigo ou bons tempos que três e noventa pagavam uma revista o dobro do tamanho?) do meu lado, e a viagem passando...

Ela LEU A MATÉRIA enquanto Catumbi e Sambódromo passavam do lado de fora da janela, até que chegou a Central e ela me devolveu a revista, saindo da kombi em seguida. Fiquei procurando em volta a câmera do táxi do Gugu ou qualquer coisa parecida. Mentira, não fiquei, mas... Oi?

Outro dia a motorista, ou assassina em massa, como quiserem, foi conversando comigo do RIO COMPRIDO até quase a RIO BRANCO (coloque no Google Maps se você não é do Rio ou é mas não é amiga da bússola) pelo retrovisor, quase atropelando umas cinco pessoas e batendo em uns seis carros, e nisso eu juro que não exagero.

Uma vez, o motorista CISMOU com a minha pessoa, dizendo que eu era irmã do garoto que estava do meu lado, que por acaso era meu amigo. Eu disse que não éramos parentes, o cidadão NÃO TEM NADA A VER COMIGO, mas e daí? O cara foi falando disso o caminho inteiro, e eu rindo sem graça de dizer 'ô filho, tá me chamando de jequinha?', com todo carinho ao meu amigo jequinha.

Tudo isso pra dizer que hoje eu entrei na kombi esquecendo meu histórico neste veículo. Mas não por muito tempo: a mulher que entrou e sentou do meu lado me olhou inteira (o que é muito, visto que meço 1,70), olhou pra minha unha que, tadinha, tá meio descascadinha, e olhou pra dela mesma, sabe 'se gabando', algo como 'minha unha está linda, fiz agora'? Sério, quase ri.

Era uma senhora de uns 40 e tantos anos, cara, 'tirando onda' com uma menina de 20 e poucos? Não me deixem fazer isso nem com 30, quem dirá com 40!! E mais: ela passou a viagem TODA bufando algo como 'que saco' ou coisa parecida até a Central, onde ficou. Um ps: achei hor-ren-da a cor que ela escolheu, mas nem por isso fiz um 'aloka', né? :P

Lição do dia: Nina, deixa de ser muquirana e pega um ônibus.

By Nina Lessa

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