A ideia era escrever ontem sobre aquelas cantadas totalmente idiotas e até engraçadas que todas nós ouvimos diariamente nas ruas de seja lá que cidade do mundo moramos... Peraí. Mentira. Não sei se isso acontece em qualquer lugar do mundo ou se é exclusividade brasileira. Quando morei no Canadá, só lembro de cantada vinda de... Brasileiro, ou sul americano! Por favor, meninas viajadas por este mundão, como funciona por aí? Os homens costumam sussurrar 'hey, hotty' quando vocês passam pelas 'ruas de meu Deus'? Compartilhem, porque confesso não lembrar de nada fora Brasil-Argentina e cia.
Bom, voltando. Hoje eu resolvi pedir demissão de um dos meus empregos e, não que vocês tenham a ver com isso, mas ontem foi um dia de cabeça mega cheia até tomar essa decisão, por isso o post acabou não saindo. Mas tinha mesmo que ser hoje. Reparem na cena...
Estava eu agora pouco, linda e cheirosa de cabelos lavadíssimos com um dos meus novecentos e doze shampoos da Natura (amo todos, hoje usei esse aqui), usando uma imitação perfeita, confortável e de graça (R$24,90) de All Star preto (by Desejo dos Pés), vestindo uma skinny da Zara que comprei na semana passada, blusa de manga comprida vermelha da Levi's com a camisa oficial (de criança, diga-se de passagem, pra ficar mais bonitinho hahaha) do Fluminense, meu time querido do coração, ouvindo uma música alta qualquer no meu iPod, esperando para atravessar uma das quatro imensas pistas da Av. Presidente Vargas, no centro aqui do Rio. Os carros passando, e eu olhando para o sinal láaaa atrás. Reparo que a fileira de carros bem do lado que estou, começa a parar, um carro atrás do outro. Achei estranho. Resolvo olhar para a minha frente: um taxi, parado, com um motorista de braço para fora, gesticulando e apontando para a minha camisa.
O HOMEM PARA O TRÂNSITO EM UMA DAS MAIORES E MAIS MOVIMENTADAS AVENIDAS DA SEGUNDA MAIOR CAPITAL DO PAÍS PARA APARECER PARA UMA MULHER.
Agora me diz: por quê?
Eu, obviamente, fingi que nem vi e virei meu rostinho com óculos quadrados e vermelhos, daqueles da modinha 'bandas coloridas' para o outro lado. E assim fiquei, assistindo aquela DÚZIA de carros ir passando na minha frente, com quase todos os motoristas seguintes falando alguma coisa comigo sobre a camisa (ou sobre a minha bunda de quase um metro, tanto faz) que, logicamente, eu até agora não sei o que é.
Sim, fiquei me sentindo linda, maravilhosa, um must. Mas é só. Que pessoa em sã consciência pensaria 'oh, que lindo, ele me chamou de gostosa/princesa/lindinha, acho que vou dar uns beijos nessa boca'? NINGUÉM. Fora que eu estou com o maior par de olheiras que meu espelho já viu, mesmo com treze litros de base...
Ontem, aqui no centro do Rio, eu fui 'linda demais', 'gostosa', meu amor' e 'princesinha do papai'. Hunf. Não gosto. Mas uma vez, na Lapa, um mendigo bêbado passou do meu lado e disse:
- Caralho, brother, que mulé gostosa da porra! Puta que pariu, vai se foder.
Assim... Delicadeza e sutileza mandaram beijos e querem muito te ver, sentem saudades. Mas ok, ri demais e cheguei no Sacrilégio toda pomposa para sambar muito. Ninguém mais me chamou nem de bonitinha aquele dia, não beijei na boca, mas eu fiquei tão feliz com o mendigo que foi uma das noites mais legais que eu já tive!
É, homens. Vocês são 90% patéticos com cantadas idiotas pela rua, mas muitas vezes os 10% sustentam o restante de engraçadinhos.
Beijomeliga, chuchu!